VOCAÇÃO EM CRISTO

A resposta vocacional
Sempre que medito a respeito da minha vocação, concluo que é um mistério. Deus se serve de muitas realidades para ir moldando com o tempo a nossa resposta, que sem saber muito bem como acaba seguindo os apelos divinos.
Eu sempre tive um “gosto” pelas coisas de Deus, desde criança me senti atraído pela beleza da fé. Me encantava frente a historias de santos e mártires, a liturgia com seus ritos me cativava. Mas, não sei se por medo ou por vergonha, nunca quis manifestar o desejo que no meu interior batia, o desejo de ser sacerdote. Parece que alguma coisa se notava no meu agir, pois muitos dos meus familiares apontavam, meio de brincadeira meio em serio, que eu seria padre. Me achava incapaz, indigno; e fui postergando a mim mesmo a pergunta, e muito mais a resposta.
Minha atividade na paróquia, a catequese, o grupo de jovens, as celebrações, que foram se fazendo diárias, tudo contribuía a que o Senhor fosse trabalhando no meu interior, mas eu, teimoso e medroso, continuava sem me fazer a pergunta definitiva.
Os anos se passaram, servi o exercito, e tinha que retomar a minha vida onde a tinha deixado..., era a encruzilhada. Deus enviou um anjo que começou a me espetar com perguntas e dilemas. Agora o nunca. 21 anos e sem saber o que fazer da vida. Este anjo me ajudo a decidir, me convidou a fazer a experiência e me levou a passar um final de semana em Barcelona, no seminário dos Filhos da Sagrada Família. Era o mês de maio de 1985. Vi, e gostei. Me encontrei em casa, no Lar. Falei com o Padre Geral, na época Pe. Blanquet. Em agosto desse mesmo ano, no dia 6, festa da Transfiguração do Senhor, ingressava no Colégio Nazareno de Réus, antigo noviciado na Espanha, para fazer minha experiência vocacional. Depois o postulantado em Barcelona, o Noviciado de volta em Réus, Filosofia e Teologia em Barcelona..., Uma longa caminhada e uma rica experiência que foi descobrindo em mim muitas potencialidades que eu mesmo ignorava. Muitos companheiros, irmãos, que deixaram a caminhada, muitos deles melhores do que eu, com certeza, em inteligência, capacidade e santidade. Mas como falava no inicio a vocação é um mistério que só desvendaremos no encontro definitivo com o Pai.
Nos anos de formação aprendi muitas coisas, mas de todas elas quero ficar com a vivencia de fraternidade. Nazaré, o lar onde encontrei meu lugar, é antes de tudo vida fraterna. Aprendi que a vida fraterna não é fácil, mas que é capaz de fazermos melhores, faz aflorar o melhor de nós mesmos.
Outra grande lição e que gostaria de transmitir para todos é a da oração. Sem oração não podemos. É impossível a vida fraterna, o apostolado, o estudo..., sem Deus o resto não serve de nada. A resposta vocacional precisa de interlocutor, sem Deus com quem confrontar a vida e dar a resposta diariamente, vamos perdendo o sentido a todo o que fazemos.
Isto é um pouco da minha experiência vocacional, resumindo: Família cristã. Vivencia intensa de fé em comunidade (paróquia). Anjos que ajudem a discernir. Oração e fraternidade. Resposta diária.
Que Deus nos ajude a todos a dar o nosso Sim.